Desgaste é uma realidade presente em praticamente toda operação industrial. Britadores, caçambas, roscas transportadoras, moinhos, eixos, roletes e diversas outras peças trabalham diariamente submetidos a abrasão, impacto, fricção e compressão.
Com o passar do tempo, essas solicitações provocam perda de material e alteram as características das superfícies, podendo comprometer o desempenho dos componentes e levar à necessidade de manutenção ou substituição.
É justamente nesse cenário que o revestimento duro por soldagem ganha importância. A técnica permite depositar sobre determinadas peças uma camada de material com propriedades adequadas às condições de desgaste da aplicação, podendo ser utilizada tanto na recuperação de componentes quanto na proteção de superfícies.
Mais do que simplesmente recuperar uma peça desgastada, o objetivo é compreender qual mecanismo de desgaste está presente para então selecionar o consumível adequado. Afinal, uma peça submetida principalmente à abrasão possui necessidades diferentes de outra que sofre impactos intensos, compressão, cavitação ou temperaturas elevadas.
O que é revestimento duro?
O revestimento duro é um processo no qual um material de soldagem é depositado sobre a superfície de uma peça com o objetivo de proporcionar características adequadas às condições de desgaste às quais ela será submetida.
Dependendo da aplicação e do consumível escolhido, o revestimento pode apresentar resistência a diferentes mecanismos, como:
- Abrasão;
- Impacto;
- Fricção;
- Compressão;
- Erosão;
- Cavitação;
- Corrosão e oxidação em determinadas aplicações.
Por isso, falar em revestimento duro não significa falar em um único tipo de consumível. Existem diferentes composições e níveis de dureza desenvolvidos justamente porque as condições encontradas na indústria também são diferentes.
Recuperação ou proteção: quando o revestimento duro pode ser utilizado?
Uma das grandes vantagens dessa solução é sua possibilidade de utilização tanto em manutenção corretiva quanto em aplicações de caráter preventivo.
Quando uma peça já apresenta desgaste, o revestimento pode fazer parte do processo de recuperação, permitindo reconstruir ou proteger determinadas regiões conforme as características do componente e da aplicação.
Por outro lado, existem situações em que o revestimento é aplicado preventivamente sobre áreas que serão submetidas a condições severas de trabalho.
Na prática, isso amplia as possibilidades da manutenção industrial. Em vez de considerar apenas a substituição de um componente, a empresa pode avaliar tecnicamente se a recuperação por soldagem é adequada para aquela situação.
O primeiro passo é identificar o tipo de desgaste
Um dos erros na escolha de consumíveis para revestimento duro é considerar apenas a dureza do depósito. Embora seja uma propriedade importante, ela não deve ser analisada isoladamente.
É fundamental compreender como a peça se desgasta durante sua operação.
Desgaste por abrasão
A abrasão acontece quando partículas ou materiais entram em contato com a superfície e provocam desgaste progressivo. Esse tipo de solicitação pode estar presente em equipamentos que movimentam minérios, terra, areia e outros materiais abrasivos.
Britadores, caçambas, roscas transportadoras e placas de desgaste são exemplos de componentes que podem enfrentar condições abrasivas, dependendo da operação.
Desgaste por impacto
Em outras situações, o principal desafio é o impacto recebido pela peça durante o funcionamento.
Nesses casos, não basta buscar simplesmente um depósito extremamente duro. É necessário que o consumível seja compatível com as solicitações presentes na aplicação.
Alguns produtos para revestimento duro são desenvolvidos justamente para combinar resistência ao desgaste com capacidade de trabalhar sob impacto.
Fricção e compressão
Componentes como rodas, roletes e eixos podem estar sujeitos a condições de fricção e compressão durante sua operação.
Nessas situações, o revestimento deve ser escolhido considerando essas solicitações específicas e também as características necessárias para a recuperação posterior da peça.
A própria linha Weld-Inox possui consumíveis destinados a peças submetidas à combinação de fricção, compressão e impacto.
Aplicações do revestimento duro na indústria
A variedade de mecanismos de desgaste faz com que o revestimento duro esteja presente em diferentes segmentos e equipamentos industriais.
Entre as aplicações encontradas na linha de consumíveis Weld-Inox estão:
- Partes internas de moinhos;
- Carcaças de bombas sujeitas à abrasão;
- Cilindros britadores;
- Caçambas de transporte;
- Chapas de desgaste;
- Eixos entalhados;
- Roscas transportadoras;
- Dentes de caçambas;
- Rodas dentadas;
- Rodas de pontes rolantes;
- Roletes;
- Eixos desgastados;
- Martelos britadores;
- Facas e componentes sujeitos a desgaste intenso.
Essa diversidade demonstra por que a seleção do consumível precisa ser realizada de acordo com a aplicação. Duas peças aparentemente semelhantes podem estar submetidas a mecanismos de desgaste completamente diferentes.
Conheça algumas soluções de revestimento duro da Weld-Inox
A Weld-Inox possui diferentes consumíveis desenvolvidos para revestimento duro. Cada produto apresenta composição, dureza e indicação próprias, permitindo atender diferentes condições industriais.
WI DUR 300 – para fricção, compressão e impacto
O WI DUR 300 – 1 UM 300 GP é um eletrodo revestido básico indicado para revestimento de peças submetidas ao desgaste por fricção, compressão e impacto.
Seu depósito é usinável e, em determinadas situações, o produto também pode ser utilizado em soldas de união de aços de alta resistência. Sua dureza informada está entre 275 HB e 325 HB.
WI DUR 22 Super – extrema abrasão
Para aplicações que exigem alta resistência ao desgaste por extrema abrasão, a Weld-Inox disponibiliza o WI DUR 22 Super, um eletrodo para revestimento duro à base de carboneto de cromo, molibdênio, tungstênio e nióbio, desenvolvido para componentes sujeitos a condições severas de desgaste.
O produto apresenta dureza entre 63 HRC e 67 HRC, proporcionando elevada resistência à abrasão e maior proteção das superfícies submetidas a desgaste intenso.
WI DUR 600 – abrasão moderada e impacto
O WI DUR 600 – E 6 UM 60 G é indicado para revestimento duro sujeito a abrasão moderada e impacto.
Suas aplicações incluem recuperação ou fabricação de chapas de desgaste, eixos entalhados, calçadeiras de linha férrea, roscas transportadoras e dentes de caçamba, além de revestimento protetivo sobre aço manganês. Sua dureza está entre 57 HRC e 60 HRC.
WI DUR 33 – para abrasão severa
Quando a aplicação envolve abrasão severa combinada com impactos moderados, existe uma necessidade diferente de revestimento.
O WI DUR 33 – E 10 UM 60 G é um eletrodo à base de carbonetos de cromo indicado para esse tipo de situação.
Entre suas aplicações estão revestimentos preventivos sobre aço manganês, facas, martelos utilizados em usinas de açúcar e álcool, caçambas, roscas transportadoras e brocas para perfuração do solo. Sua dureza informada varia de 57 HRC a 62 HRC.
Existem aplicações de revestimento duro em altas temperaturas?
Sim. Algumas aplicações combinam desgaste com temperaturas elevadas, corrosão ou oxidação, exigindo consumíveis específicos.
Um exemplo presente no portfólio da Weld-Inox é o WI DUR 06 – E CoCr A, eletrodo à base de cobalto, cromo e tungstênio.
Esse produto apresenta resistência ao desgaste por fricção, cavitação, corrosão e oxidação em temperaturas de até 600°C. Entre suas aplicações estão sedes de válvulas, equipamentos utilizados no manuseio de aços aquecidos, turbinas e válvulas de motores a combustão.
Esse exemplo demonstra novamente por que não existe um consumível universal para revestimento duro. As condições reais de operação precisam ser consideradas antes da escolha.
Como escolher o consumível para revestimento duro?
A escolha deve partir de uma análise da aplicação. Antes de definir o consumível, é importante compreender fatores como:
- Qual é o mecanismo predominante de desgaste?
- A peça sofre abrasão leve, moderada ou severa?
- Existe impacto durante a operação?
- Há fricção ou compressão?
- A peça trabalha em temperaturas elevadas?
- Existe contato com agentes corrosivos?
- Qual é o material base da peça?
- O depósito precisará ser usinado posteriormente?
- O revestimento será utilizado em uma recuperação ou como proteção preventiva?
Essas informações ajudam a determinar quais propriedades o depósito precisa apresentar.
É por isso que analisar apenas a dureza pode levar a uma escolha inadequada. O consumível precisa responder ao conjunto de solicitações presentes na operação.
Revestimento duro e manutenção industrial
Para a manutenção industrial, o revestimento duro representa uma ferramenta importante porque permite avaliar alternativas para componentes submetidos continuamente ao desgaste.
Dependendo das características da peça, do nível de desgaste e das condições de aplicação, a recuperação pode contribuir para prolongar o período de utilização do componente e reduzir a frequência de substituições.
Além disso, a aplicação preventiva de revestimentos em regiões conhecidas por sofrer desgaste pode fazer parte de uma estratégia de manutenção planejada.
O resultado é uma abordagem mais técnica: em vez de esperar que a peça atinja uma condição crítica, a equipe de manutenção pode acompanhar seu desgaste e avaliar o momento adequado para intervenção.
A qualidade do revestimento começa pela escolha correta
Revestimento duro não significa simplesmente adicionar uma camada mais resistente sobre qualquer componente. Para obter o resultado esperado, é necessário considerar o material base, o mecanismo de desgaste, as condições de trabalho e as características do consumível.
A seleção adequada permite direcionar o revestimento para aquilo que realmente está provocando a deterioração da peça — seja abrasão,>